30/01/2007

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Era sem dúvida o princípio do fim. Os dois já não tinham certeza do que estavam fazendo ali naquela ensolarada tarde de sábado. As mãos se encontravam e desencontravam, os olhares eram distantes e os sorrisos pareciam alheios à situação. As palavras soltas e desatinadas não correspondiam ao momento. E não sabendo como agir, a decepção começava a assolá-los.
Aqueles dois amantes, o gato da gata, o anjo do lindo, a linda do amado, que há não muito haviam trocado juras e carícias só conseguiam sentir aquele enorme vazio que os tomava.
Eis o lapso que consumiu o ultimo átomo do âmbar daquela paixão. Ele e ela, ela e ele - tanto faz - estavam sentados de frente um para o outro. E entre uma foto e outra sentiam que o fim se aproximava, mas ninguém tinha certeza do que acontecera na verdade.
Era mais uma paixão, embora não fosse apenas uma paixão. E aquilo foi o lampejo da eternização de um momento no qual o tudo virou nada, e o nada uma paixão fugaz.

25/01/2007

Fugacidade.

Não é de hoje que o Régis e eu temos idéias em comum. E é incrível que com tantas pessoas que moram nesse mundo, tenhamos sido colocados lado a lado. E tenhamos trocado idéias, e notado que elas se aderiam mutuamente, como se um sempre complementasse o pensamento do outro. Daí surgiu uma cumplicidade de raciocínio inédita e viciante.
Porém, nunca pudemos registrar esses nossos devaneios que sempre acabam em algo concreto e conclusivo. Algo definitivo. Foi nesse momento que o meu estimado amigo resolveu abrir o meu Paixão de Bolso, e gostou da idéia de um blog. Um espaço para pirar junto, ficar chapado sem baseado, viajar, e como sempre, chegar em algum lugar que não foi imaginado antes, mas que sempre é a solução para o problema. Ponto.
A partir daqui começa a nossa outra coisa em comum. As paixões. Eu disse a ele que vou abrir uma franquia de blogs com "paixão" no nome (esse é o meu terceiro, tenho ainda o Paixão e Cólera com a minha amiga Michele). Ele, espontaneamente, disse "que tal 'Paixão Fugaz'?". Eu achei genial! Porque as nossas conversas, que não são lá tão periódicas, sempre falam de alguma coisa diferente. Acho até que nunca falamos da mesma coisa. Sempre assuntos fugazes. Um se apaixona, conta pro outro. Dali uns dias, a paixão já é outra. As idéias são outras. A conversa é outra. Mas uma característica é a mesma: as paixões que vão e vêm. E não é só por indivíduos do sexo oposto. Também conceitos sobre a vida social, sobre a geopolítica mundial, sobre arquitetura, sobre culinária, sobre o vento, sobre as minhocas, sei lá! Sobre tudo.
E essa deve ser a moral desse espaço... falar sobre as paixões que mal duram um minuto.

Está inaugurado o Paixão Fugaz.