18/02/2007

Deus, uma por dia.

A fugacidade é a beleza do mundo. Alguém deve ter dito que as coisas curtas são mais inesquecíveis. Duram pouco. Mas são lembradas por muito tempo. É por isso que eu queria pedir a Deus para fazer com que as paixões durassem no máximo um dia. Uma por dia. Para que não precisasse alongar o sofrimento por muito tempo. Porque a intensidade da paixão, ao mesmo tempo que agrada, machuca. É como o sol. Seus raios na pele são como vida. Fazem sentir a vida entrando nos poros e fazendo tudo novo. Mas muito tempo de exposição queima, machuca, ressente, dói.
Digo a quem me pergunta se estou apaixonado que o estou permanentemente. Isto faz com que eu seja intenso, com que eu viva os sentimentos na pele, de verdade, no cotidiano, nos passos, em todos os lugares, no ar. Mas essa intensidade mata um pouco a cada dia, a cada vez que os olhares do meu amor não são meus, que os suspiros do meu amor não são pra mim, que a impotência só cresce, a vontade só aumenta, mas a vida não corresponde.
Deus que faça a paixão durar para sempre. Mas sempre diferente. Sempre nova. E não obrigue o homem a se torturar sorrindo.