Se não estivermos dispostos a superar o medo da rejeição, sempre nos sentiremos sós. A solidão ocorre de muitas maneiras. Alguns a sentem simplesmente por não terem contato com outros seres humanos. Outros se sentem sós até em uma sala lotada. Alguns, porque são solteiros. Outros são casados e sentem solidão. Outros ainda experimentam a solidão porque traíram a si mesmos e sentem saudade do seu eu perdido. A solidão parece estar sempre à espreita e é uma das experiências da vida que nunca superamos totalmente.
A sensação de que ninguém nos conhece de verdade pode ser uma das formas mais debilitantes de solidão e é gerada por nossa própria falta de disposição para nos revelar. O paradoxo de querermos ser conhecidos e amados como somos mas de nos recusarmos a nos revelar por medo da rejeição cria uma solidão tremenda em nossas vidas.
É aí que fechamos o círculo. Ansiamos por intimidade, fugimos da intimidade, dizemos a nós mesmos que precisamos nos libertar dos vínculos emocionais, mas acabamos escravizados de uma forma ou outra.
Por não querermos assumir os riscos da intimidade, tentamos preencher o vazio criado pela falta dela em nossas vidas. Daí nascem nossos vícios. Se não alimentamos de forma saudável o poço sem fundo criado pela ausência de intimidade, acabamos alimentando-o de formas autodestrutivas. Alguns tentam preencher o vazio com àlcool; uns, com compras; outros, com drogas. Muitos irão preenchê-lo com uma série interminável de relacionamentos de curta duração, e um número cada vez maior de pessoas tenta preencher o vazio com experiências sexuais. O resultado é um vazio cada vez maior. Todos esses vícios são apenas tentativas pouco saudáveis de preencher o vazio criado pela falta de intimidade verdadeira.
Os vícios são alguns dos mais poderosos enganos que podemos vivenciar. Os vícios nos desconectam da realidade. Então, por que nos atraem com tanta força? Por uma razão incrivelmente simples: eles mudam o modo como pensamos sobre nós mesmos. Enquanto a intimidade nos leva à partilha com os outros, os vícios nos empurram cada vez mais em direção à solidão de nossos mundos imaginários. Eles mantêm viva a ilusão de que somos o centro do universo.
A intimidade genuína nos liberta da solidão, mas, quando fugimos da intimidade, muitas vezes acabamos escravizados pelo vício.
(Matthew Kelly)
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